Sunday, May 31, 2026

Saturday, May 30, 2026

O caso Tickle v Giggle. A descrição actualizada, aqui na wiki. De qualquer jeito, a Austrália parece estar perdida.
O caso do assassinato de Henry Nowak. A Polícia não mostra o filme dos eventos, gravado pela câmara dos agentes...

Entretanto, o Primeiro Ministro, que ajoelhou aquando da morte do cadastrado americano Floyd, ignora o caso de Henry Nowak, que morreu esfaqueado, enquanto pedia ajuda aos polícias que o algemaram e deixaram afogar no próprio sangue. As suas últimas palavras foram as mesmas de George Floyd: "I can't breath".

A Inglaterra está perdida.


 

Saturday, April 4, 2026

O caso da família Mesquita Guimarães (post de 4/11/2021)

O Notícias Viriato noticiou a coisa. Houve discussões e tomadas de posição. Os alunos foram andando (são excelentes alunos) à força de providências cautelares. O ministério voltou a mandar chumbar, agora em 2021. Tudo por causa da disciplina “Cidadania e Desenvolvimento“. Esta disciplina tem dado que falar. Por exemplo, alunos do 5º ano responderam a uma ficha, por escrito, sobre qual a sua opção sexual. O Observador publicou recentemente um texto que me arrepiou. Das opiniões colhidas, vou realçar as seguintes. Filinto Lima, presidente da ANDAEP (Associação Nacional de Diretores de Agrupamentos e Escolas Públicas) considera que a reprovação dos dois alunos era “expectável”, tendo em conta que os alunos faltaram às aulas e, por muito bom que fosse o seu desempenho escolar, a “escola não poderia fazer mais nada” que não fosse chumbá-los, e que a decisão “vai fazer jurisprudência e lei”. “A partir de agora, qualquer caso idêntico se guiará por este”, afirma. “Vai ser decidido se os pais podem prescindir ou não de querer que os filhos cumpram o currículo escolar” e se há “legitimidade” nesse processo. “Será que agora os pais vão ter de dizer se concordam ou não que o seu filho frequente alguma disciplina?”, questiona. Maria Filomena Gaspar, docente na Faculdade de Psicologia e Ciências da Educação da Universidade de Coimbra, investigadora e psicóloga na área do desenvolvimento e da família acha que “Estes pais têm um problema de narcisismo muito grande, que é acharem que sabem o que é melhor para os filhos”. Para o advogado Paulo Veiga e Moura, “em último caso” a medida mais extrema pode ser mesmo a perda da tutela e do poder paternal. “O pai pode perder a tutela e o poder paternal dos filhos e estes serem entregues aos de outra pessoa, incluindo outros familiares ou até mesmo instituições, ou seja, aqueles que o tribunal entender mais ajustados”. A minha opinião: a disciplina, como está desenhada, deve ser facultativa porque os seus conteúdos não são consensuais. Dizer que os pais têm um problema por quererem educar os filhos é uma barbaridade. Claro que são os pais que sabem o que é melhor para os filhos, excepto na URSS. A ameaça de retirar os filhos a estes pais é mais um acto de violência malévolo, típico de ditaduras.

Wednesday, January 26, 2011

Tribunalês

Pedi informações por email, na sequência de um ofício que recebi do tribunal, cujo conteúdo não consegui decifrar. Recebi a resposta merecida:

Exmo senhor(a) Dr(a).
Informo que não será dada entrada ao presente e-mail, uma vez que, de acordo com a portaria 114/08 de 06 /02, alterada pela portaria 457/08 de 20/06, conforme o disposto no seu art. 2º, não podem as partes continuar a enviar peças por esta via, pelo que solicitamos o envio por correio ou entrega ao balcão destas Secretarias. Neste sentido as duvidas relativas a processos ou procedimentos, devem ser expostas pelas vias indicadas anteriormente.
Com os melhores cumprimentos,
Escrivã da Secção Central

Wednesday, December 22, 2010

Pisa

Eu bem gostava de perceber esta coisa do PISA...

Do Público de hoje:

PISA: mentiras, perplexidades e factos

Por Santana Castilho
Os resultados obtidos pelos estudantes portugueses em 2009 melhoraram muito e isso é bom. Mas onde estamos?

Assentou a poeira e desfez-se a espuma dos dias. É tempo de analisar as mentiras, recordar os factos e partilhar perplexidades.

Andreas Schleicher, director do PISA, é claro quando diz ao que o programa veio: medir quanto value for money (conceito económico que exprime a utilidade do dinheiro despendido) resulta dos sistemas de ensino em análise. O PISA não se ocupa de determinar e comparar todo o conhecimento que deriva dos vários domínios curriculares. O PISA centra-se na capacidade para resolver problemas básicos, detida por jovens com idades compreendidas entre os 15 anos e quatro meses e os 16 anos e quatro meses. Sendo de inegável utilidade, este quadro é redutor porque deixa de fora valências humanistas e culturais dos sistemas de ensino. Merece alguma reflexão ver democracias líderes do desenvolvimento tecnológico e científico mundial (Alemanha, França, Reino Unido e EUA) remetidas para posições modestas no PISA, enquanto um sistema ditatorial se guinda ao primeiro lugar do ranking (Xangai).

Com a ressalva supra, é incontestável a importância de todo o manancial de informação que o PISA proporciona. Mas a contrapartida para esse benefício está a tornar-se perniciosa: as orientações que dele emanam têm vindo a ser aceites com uma preocupante atitude reverencial. Os resultados obtidos pelos estudantes portugueses em 2009 melhoraram muito e isso é bom. Mas onde estamos? No último terço da tabela dos 33 países da OCDE. Abaixo da média em todos os domínios considerados (489 pontos em Leitura, 487 em Matemática e 493 em Ciências, para médias da OCDE de 493, 496 e 501, respectivamente). E tudo isto por referência a 698 pontos possíveis. Cerca de 19 por cento dos nossos estudantes não souberam justificar por que devem lavar a língua quando lavam os dentes, sendo certo que a resposta estava contida no texto do teste; 23,7 por cento não souberam fazer uma simples conversão cambial; e, nas ciências, 16,5 por cento não responderam a uma pergunta de nível 1, o mais baixo dos seis cotados. Justifica isto a histeria de Sócrates e dos cronistas do regime e a recuperação de defuntos políticos? A propaganda lida mal com os factos. Mas eles existem. Continuemos a recordá-los.

Sócrates disse que os resultados de 2009 são fruto:

- Das políticas começadas em 2005 e do trabalho de Maria de Lurdes Rodrigues. Falso. Os jovens que responderam aos testes pertencem à primeira geração positivamente condicionada pela generalização do pré-escolar, promovida por Marçal Grilo, e conheceram quatro ministros da educação, que Sócrates olimpicamente ignora (Santos Silva, Júlio Pedrosa, David Justino e Carmo Seabra).

- Da introdução da banda larga e dos computadores portáteis. Falso. Os jovens testados não fruíram do programa Magalhães. Na análise dos resultados de 2009, o PISA estabelece uma correlação entre os resultados e dois indicadores: o acesso à Internet e a posse de uma biblioteca em casa. E que verificamos? Que os possuidores de biblioteca superam em cerca de 20 pontos, em todos os domínios medidos, os que só têm acesso à Internet.

- Do modelo de avaliação do desempenho dos professores de Lurdes Rodrigues. Falso. Todos sabem que tal coisa não foi aplicada até 2009.

- Do novo regime de gestão das escolas. Falso. Todas as escolas frequentadas pelos alunos testados foram ainda geridas sob o antigo sistema, isto é, por conselhos executivos eleitos pelos professores.

Mas a cereja em cima da pisa deste contexto de manipulações primárias radica nas legítimas suspeições que a amostra portuguesa suscita. Deveria ser aleatória e estratificada. Mas tudo indicia que não foi. Só o conhecimento da listagem das escolas e dos alunos seleccionados apagaria a suspeita que detenho e assim fundamento:

- Terão sido inicialmente indigitados 8480 alunos. Podem subsistir exclusões (falta de autorização parental, insuficiente domínio linguístico ou deficiências profundas). O relatório técnico da OCDE diz que a sua taxa média de exclusão foi 3,32 por cento e que a portuguesa foi 1,5 por cento. Mas terão respondido apenas 6298 alunos. A taxa de exclusão salta assim para uns anormais 25,73 por cento. Que aconteceu a 2182 alunos?

- Fica gravemente comprometida a representatividade de uma amostra quando se treinam alunos e professores para responder aos testes do PISA. O próprio organismo responsável pela administração do PISA em Portugal, o GAVE, confessa-o a páginas 36 e 37 do seu relatório de actividades de 2009.

- O 10.º ano é o adequado à faixa etária dos alunos testados. A proporção dos alunos do 7.ºano (tri-repetentes) e do 8.º ano (bi-repetentes) presentes na amostra de 2009 é bem menor relativamente à amostra de 2006. E os que frequentam o 10.º e o 11.º ano sobem consideravelmente na amostra de 2009. O peso das escolas privadas quase triplicou. Sendo inquestionável que estas circunstâncias têm enorme peso nos resultados, mandaria a transparência do processo que a OCDE não se escondesse atrás do Governo e este não invocasse estranhos contratos de confidencialidade com a OCDE, num sinuoso ciclo que só fomenta desconfiança.

- Ao mesmo tempo que o Eurostat revela que Portugal é o país da Europa com mais crianças pobres, que cantinas escolares matam fome em férias e aos fins-de-semana, a amostra portuguesa é composta por alunos que dizem ter dois ou mais computadores em casa (mais de 70 por cento) e dois automóveis (60 por cento), indicadores que superam as médias da OCDE e nos permitem questionar a validade da amostra. Pisados, mas não estúpidos! Professor do ensino superior. s.castilho@netcabo.pt