Sunday, December 9, 2007

Pulido Valente sobre Sócrates

Vasco Pulido Valente, hoje no Público:

Isto o que é? Não é uma pessoa, não é um político, não é um ente reconhecivelmente humano. É uma montagem publicitária: polida, vácua, inócua. O herói de plástico, uma invenção. É José Sócrates, o primeiro-ministro.

Monday, December 3, 2007

No centro da cidade, um tesouro...


Por António Barreto
AINDA NÃO SÃO AOS BANDOS, mas há já figuras sinistras que voam pelo Príncipe Real, pelas ruas da Escola Politécnica, da Alegria e do Salitre, pelos jardins da Faculdade de Ciências e pelo Jardim Botânico, até ao Parque Mayer. Já há “interessados”, com muito dinheiro, que querem “desenvolver” a área, “promover” a habitação, abrir escritórios de luxo, criar unidades hoteleiras, centros comerciais e zonas de lazer. Parece mesmo que certos edifícios do Príncipe Real foram já adquiridos. Está ali, sem dúvida, uma “janela de oportunidade”, um “desafio da modernidade” e uma “aposta na qualidade”. A Lisboa competitiva ameaça passar por ali.

O CONJUNTO está identificado. Já foi a Quinta do Monte Olivete e já pertenceu aos Jesuítas. Já foi o Noviciado da Cotovia e o Colégio dos Nobres. Já foi a Escola Politécnica e a Faculdade de Ciências. Hoje alberga dois museus, muitas relíquias e alguns pardieiros. É a antiga Faculdade de Ciências, seus imóveis, anexos e jardins, a que se acrescenta o Jardim Botânico. Inclui alguns edifícios escolares, uns desactivados desde o incêndio de 1978, outros depois disso. Pertence à Universidade de Lisboa. São cerca de seis hectares no centro da cidade. Espaço único que qualquer capital civilizada aproveitaria e mostraria, orgulhosa, aos seus cidadãos e ao mundo.

O INVENTÁRIO do que ali está é imenso. Com a ajuda da directora Ana Eiró e da investigadora Marta Lourenço, pode resumir-se, por defeito, no seguinte. Os Museus da Ciência e da História Natural, que incluem o museu e laboratório mineralógico e geológico, o museu, laboratório e jardim botânico e o museu e laboratório zoológico e antropológico. O Observatório Astronómico. A Biblioteca científica dos séculos XV a XIX. Os restos das instalações escolares do século XIX, nomeadamente as salas, laboratórios e anfiteatros da química, da física e da matemática. O Picadeiro Real do Colégio dos Nobres (nascido em 1766), fabuloso edifício, hoje transformado em pavilhão de desportos. Os arquivos históricos de várias instituições científicas.

O CONTEÚDO é impressionante. São colecções notáveis de instrumentos científicos e técnicos de química, física, astronomia e matemática dos séculos XIX e XX (mais de 10.000 peças). Arquivos históricos (mais de 100.000 documentos). Bibliotecas científicas dos séculos XV a XX (25.000 livros). Mobiliário muito curioso e interessante. Colecções de antropologia (2.000 esqueletos), de mamíferos (5.000 espécies), de aves (2.600), de peixes (7.000 lotes), de anfíbios e repteis (1.000), de invertebrados (30.000 lotes) e de sementes (4.000 lotes). A que se acrescentam os herbários (250.000 espécies) dos séculos XVIII e XIX, incluindo os de Vandelli, Brotero e Welwitsch. Ou as colecções de mineralogia, petrologia, estratigrafia e paleontologia (80.000 peças). E finalmente o fantástico Jardim Botânico (1.500 espécies), com mais de 150 anos de existência, sobre o qual dou a palavra ao Senhor Félix Krull, criação de Thomas Mann, que nos diz, nos anos cinquenta, a propósito de Lisboa: “A sua primeira visita deverá ser para o Jardim Botânico, sobre as colinas do Oeste. Não tem igual na Europa inteira, graças a um clima em que a flora tropical prospera tanto como a da zona temperada. O jardim está cheio de araucárias, de bambus, de papiros, de iúcas e de todas as variedades de palmeiras. Aí verá com os seus olhos plantas que, no fundo, já não pertencem à actual vegetação do nosso planeta, mas a uma flora mais antiga como, por exemplo, os fetos arbóreos. Vá lá imediatamente e repare no feto arbóreo do período carbónico. É mais do que uma pequena história cultural. É toda a antiguidade da terra”!

A AMEAÇA dos promotores não é a única. A outra é a da ruína e da degradação. É um verdadeiro tesouro no meio da cidade, mais ou menos ignorado, decadente, parcialmente abandonado, com equipamentos degradados e espécies mal conservadas... Os efeitos desta ameaça já se podem observar à vista desarmada. Há instalações fechadas porque perigosas. Há paredes degradadas e soalhos a cair. Há salas e edifícios encerrados por razões de segurança. Muitas colecções estão fechadas por falta de condições de preservação ou de exibição. O Jardim Botânico tem falta absoluta de jardineiros e carência de verbas para tratamentos e manutenção, não havendo sequer orçamento suficiente para pagar a rega. Degradação e abandono são as palavras que vêm ao espírito, apesar de uns bandos de alunos que visitam os locais e mau grado alguns investigadores e funcionários que se esforçam por manter aquilo vivo. A Universidade não tem recursos para manter ou desenvolver este património. O Governo diz, há muitos anos, que também não tem. Da Câmara de Lisboa, além de intenções vagas, pouco se sabe. Mas, a seu favor, nota-se a abertura de um “concurso de ideias” até ao próximo 4 de Janeiro.

NÃO HAVERÁ, em Lisboa ou no país, inteligência suficiente para preservar e aproveitar este conjunto, utilizando-o para os fins óbvios, como sejam o estudo, a investigação e a divulgação cultural e científica, sem esquecer todas as funções que pode preencher um espaço público único? Não haverá ninguém que não se tenha ainda deixado perverter pela cultura vigente do efémero, da espuma virtual, do superficial e do divertimento? Não haverá ninguém interessado em evitar novos incêndios, inundações, delapidações ou promotores imobiliários? Não haverá um ministro capaz de perceber isto? Um Presidente da Câmara? Um banco? Uma companhia de seguros? Uma empresa? Uma fundação?

SEIS HECTARES e um património tão rico no centro da cidade! Numa cidade onde faltam os espaços verdes; onde são poucos os espaços públicos organizados e acessíveis; onde são raros os locais de repouso e convívio; onde há poucos museus e instituições de divulgação cultural e científica! Nunca saberei exactamente o que mais leva ao desperdício e à degradação. Já pensei que fosse a pobreza. Depois, a ignorância. Agora, acrescento a demagogia dos novos-ricos.

«Retrato da Semana» - «PÚBLICO» de 2 de Dezembro de 2007

Saturday, December 1, 2007

Os grunhos da Educação atacam de novo

Do Público de hoje:

Estatuto do Aluno aprovado na Assembleia da República sob chuva de críticas da oposição
01.12.2007, Joana Ferreira da Costa e Leonote Botelho

Aluno faltoso obrigado
a prova de recuperação.

Se faltar ao exame, chumba de ano ou à disciplina
O novo Estatuto do Aluno foi ontem aprovado apenas pelos socialistas, sob uma chuva de críticas da oposição, que mantém a acusação de facilitismo ao Governo na assiduidade dos alunos.

"O novo estatuto não premeia o mérito e o esforço, nem o trabalho e o rigor. Antes, promove o facilitismo e põe em causa o dever de assiduidade", criticou o social-democrata Emídio Guerreiro, cujo partido apresentou uma proposta para alterar o polémico artigo 22 sobre o regime de faltas e assiduidade dos alunos, impendindo a passagem de ano dos estudantes que faltem injustificadamente.
"Comparar faltas justificadas com faltas injustificadas é puro igualitarismo, que esconde injustiças", defendeu, por sua vez, José Paulo Carvalho, do CDS-PP.

"Queremos uma escola que forme cidadãos cumpridores", acrescentou, acusando o PS "de trabalhar para as estatísticas" do abandono escolar.

Ana Drago, do BE, lembrou, aliás, que o próprio Ministério da Educação admitiu que novo o Estatuto do Aluno irá resolver esse problema, uma tese que o Bloco recusa, considerando que apenas serve para esconder a realidade. "É uma manobra de falsificação. Não só dos números do abandono escolar, mas do próprio papel da escola pública", apontou também Miguel Tiago, do PCP.

Em defesa do documento final, a socialista Odete João acusou PSD e CDS - os dois partidos que pediram nova discussão em plenário do polémico artigo e viram novamente chumbadas as suas propostas alternativas - de apresentarem soluções que se limitam a afastar os alunos faltosos, gerando mais abandono e insucesso escolar.

A proposta ontem aprovada - a quarta apresentada pelo PS - prevê que um aluno faltoso tenha de fazer uma prova de recuperação e, se faltar ao exame sem justificação, não passará de ano, no caso do básico, ou será excluído da disciplina, no caso do secundário, o que não estava previsto nas versões anteriores. Este "regime de faltas é indubitalvemente mais exigente do que o actual, apesar da demagogia irresponsável da oposição", afirmam os socialistas.

Thursday, November 22, 2007

O que anda pela rede

Ílhavo, 22 de Outubro de 2007

Senhor Presidente da República Portuguesa

Excelência:

Disse V. Excia, no discurso do passado dia 5 de Outubro, que os
professores precisavam de ser dignificados e eu ouso acrescentar: "Talvez V.
Excia não saiba bem quanto!"

1. Sou professor há mais de trinta e seis anos e no ano passado
tive o primeiro contacto com a maior mentira e o maior engano (não lhe chamo
fraude porque talvez lhe falte a "má-fé") do ensino em Portugal que dá pelo
nome de Cursos de Educação e Formação (CEF).

A mentira começa logo no facto de dois anos nestes cursos darem
equivalência ao 9º ano, isto é, aldrabando a Matemática, dois é igual a
três!

Um aluno pode faltar dez, vinte, trinta vezes a uma ou a várias
disciplinas (mesmo estando na escola) mas, com aulas de remediação, de
recuperação ou de compensação (chamem-lhe o que quiserem mas serão sempre
sucedâneos de aulas e nunca aulas verdadeiras como as outras) fica sem
faltas. Pode ter cinco, dez ou quinze faltas disciplinares, pode inclusive
ter sido suspenso que no fim do ano fica sem faltas, fica puro e imaculado
como se nascesse nesse momento.

Qual é a mensagem que o aluno retira deste procedimento? Que pode
fazer tudo o que lhe apetecer que no final da ano desce sobre ele uma luz
divina que o purifica ao contrário do que na vida acontece. Como se vê
claramente não pode haver melhor incentivo à irresponsabilidade do que este.

2. Actualmente sinto vergonha de ser professor porque muitos alunos
podem este ano encontrar-me na rua e dizerem: "Lá vai o palerma que se
fartou de me dizer para me portar bem, que me dizia que podia reprovar por
faltas e, afinal, não me aconteceu nada disso. Grande estúpido!"

3. É muito fácil falar de alunos problemáticos a partir dos
gabinetes mas a distância que vai deles até às salas de aula é abissal. E
é-o porque quando os responsáveis aparecem numa escola levam atrás de si (ou
à sua frente, tanto faz) um magote de televisões e de jornais que se
atropelam uns aos outros. Deviam era aparecer nas escolas sem avisar, sem
jornalistas, trazer o seu carro particular e não terem lugar para estacionar
como acontece na minha escola.

Quando aparecem fazem-no com crianças escolhidas e pagas por uma
empresa de casting para ficarem bonitos (as crianças e os governantes) na
televisão.

Os nossos alunos não são recrutados dessa maneira, não são louros,
não têm caracóis no cabelo nem vestem roupa de marca.

Os nossos alunos entram na sala de aula aos berros e aos
encontrões, trazem vestidas camisolas interiores cavadas, cheiram a suor e a
outras coisas e têm os dentes em mísero estado.

Os nossos alunos estão em estado bruto, estão tal e qual a Natureza
os fez, cresceram como silvas que nunca viram uma tesoura de poda. Apesar de
terem 15/16 anos parece que nunca conviveram com gente civilizada.

Não fazem distinção entre o recreio e o interior da sala de aula
onde entram de boné na cabeça, headphones nos ouvidos continuando as
conversas que traziam do recreio.

Os nossos alunos entram na sala, sentam-se na cadeira, abrem as
pernas, deixam-se escorregar pela cadeira abaixo e não trazem nem
esferográfica nem uma folha de papel onde possam escrever seja o que for.

Quando lhes digo para se sentarem direitos, para se desencostarem
da parede, para não se virarem para trás olham-me de soslaio como que a
dizer "Olha-me este!" e passados alguns segundos estão com as mesmas
atitudes.

4. Eu não quero alunos perfeitos. Eu quero apenas alunos normais!!!

Alunos que ao serem repreendidos não contradigam o que eu disse
e que ao serem novamente chamados à razão não voltem a responder querendo
ter a última palavra desafiando a minha autoridade, não me respeitando nem
como pessoa mais velha nem como professor. Se nunca tive de aturar faltas de
educação aos meus filhos por que é que hei-de aturar faltas de educação aos
filhos dos outros? O Estado paga-me para ensinar os alunos, para os educar e
ajudar a crescer; não me paga para os aturar! Quem vai conseguir dar aulas a
alunos destes até aos 65 anos de idade?

Actualmente só vai para professor quem não está no seu juízo
perfeito mas se o estiver, em cinco anos (ou cinco meses bastarão?...) os
alunos se encarregarão de lhe arruinar completamente a sanidade mental.

Eu quero alunos que não falem todos ao mesmo tempo sobre coisas que
não têm nada a ver com as aulas e quando peço a um que se cale ele não me
responda: "Por que é que me mandou calar a mim? Não vê os outros também a
falar?"

Eu quero alunos que não façam comentários despropositados de modo a
que os outros se riam e respondam ao que eles disseram ateando o rastilho da
balbúrdia em que ninguém se entende.

Eu quero alunos que não me obriguem a repetir em todas as aulas
"Entram, sentam-se e calam-se!"

Eu quero alunos que não usem artes de ventríloquo para assobiar,
cantar, grunhir, mugir, roncar e emitir outros sons. É claro que se eu não
quisesse dar mais aula bastaria perguntar quem tinha sido e não sairia mais
dali pois ninguém assumiria a responsabilidade.

Eu quero alunos que não desconheçam a existência de expressões como
"obrigado", "por favor" e "desculpe" e que as usem sempre que o seu emprego
se justifique.

Eu quero alunos que ao serem chamados a participar na aula não me
olhem com enfado dizendo interiormente "Mas o que é que este quer agora?" e
demorem uma eternidade a disponibilizar-se para a tarefa como se me
estivessem a fazer um grande favor. Que fique bem claro que os alunos não me
fazem favor nenhum em estarem na aula e a portarem-se bem.

Eu quero alunos que não estejam constantemente a receber e a enviar
mensagens por telemóvel e a recusarem-se a entregar-mo quando lho peço para
terminar esse contacto com o exterior pois esse aluno "não está na sala",
está com a cabeça em outros mundos.

Eu sou um trabalhador como outro qualquer e como tal exijo
condições de trabalho! Ora, como é que eu posso construir uma frase
coerente, como é que eu posso escolher as palavras certas para ser claro e
convincente se vejo um aluno a balouçar-se na cadeira, outro virado para
trás a rir-se, outro a mexer no telemóvel e outro com a cabeça pousada na
mesa a querer dormir?

Quando as aulas são apoiadas por fichas de trabalho gostaria que os
alunos, ao sair da sala, não as amarrotassem e deitassem no cesto do lixo
mesmo à minha frente ou não as deixassem "esquecidas" em cima da mesa.

Nos últimos cinco minutos de uma aula disse aos alunos que se
aproximassem da secretária pois iria fazer uma experiência ilustrando o que
tinha sido explicado e eles puseram os bonés na cabeça, as mochilas às
costas e encaminharam-se todos em grande conversa para a porta da sala à
espera que tocasse. Disse-lhes: "Meus meninos, a aula ainda não acabou!
Cheguem-se aqui para verem a experiência!" mas nenhum deles se moveu um
milímetro!!!

Como é possível, com alunos destes, criar a empatia necessária para
uma aula bem sucedida?

É por estas e por outras que eu NÃO ADMITO A NINGUÉM, RIGOROSAMENTE
A NINGUÉM, que ouse pensar, insinuar ou dizer que se os meus alunos não
aprendem a culpa é minha!!!

5. No ano passado tive uma turma do 10º ano dum curso profissional
em que um aluno, para resolver um problema no quadro, tinha de multiplicar
0,5 por 2 e este virou-se para os colegas a perguntar quem tinha uma máquina
de calcular!!! No mesmo dia e na mesma turma outro aluno também pediu uma
máquina de calcular para dividir 25,6 por 1.

Estes alunos podem não saber efectuar estas operações sem máquina e
talvez tenham esse direito. O que não se pode é dizer que são alunos de uma
turma do 10º ano!!!

Com este tipo de qualificação dada aos alunos não me admira que,
daqui a dois ou três anos, estejamos à frente de todos os países europeus e
do resto do mundo. Talvez estejamos só que os alunos continuarão a ser
brutos, burros, ignorantes e desqualificados mas com um diploma!!!

6. São estes os alunos que, ao regressarem à escola, tanto orgulho
dão ao Governo. Só que ninguém diz que os Cursos de Educação e Formação são
enormes ecopontos (não sejamos hipócritas nem tenhamos medo das palavras)
onde desaguam os alunos das mais diversas proveniências e com histórias de
vida escolar e familiar de arrepiar desde várias repetências e inúmeras
faltas disciplinares até famílias irresponsáveis.

Para os que têm traumas, doenças, carências, limitações e
dificuldades várias há médicos, psicólogos, assistentes sociais e outros
técnicos, em quantidade suficiente, para os ajudar e complementar o trabalho
dos professores?

Há alunos que têm o sublime descaramento de dizer que não andam na
escola para estudar mas para "tirar o 9º ano".

Outros há que, simplesmente, não sabem o que andam a fazer na
escola...

E, por último, existem os que se passeiam na escola só para
boicotar as aulas e para infernizar a vida aos professores. Quem é que
consegue ensinar seja o que for a alunos destes? E por que é que eu tenho de
os aturar numa sala de aula durante períodos de noventa e de quarenta e
cinco minutos por semana durante um ano lectivo? A troco de quê? Da gratidão
da sociedade e do reconhecimento e do apreço do Ministério não é, de certeza
absoluta!

7. Eu desafio seja quem for do Ministério da Educação (ou de outra
área da sociedade) a enfrentar ( o verbo é mesmo esse, "enfrentar", já que
de uma luta se trata...), durante uma semana apenas, uma turma destas
sozinho, sem jornalistas nem guarda-costas, e cumprir um horário de
professor tentando ensinar um assunto qualquer de uma unidade didáctica do
programa escolar.

Eu quero saber se ao fim dessa semana esse ilustre voluntário ainda
estará com vontade de continuar. E não me digam que isto é demagogia porque
demagogia é falar das coisas sem as conhecer e a realidade escolar está numa
sala de aula com alunos de carne, osso e odores e não num gabinete onde
esses alunos são números num mapa de estatística e eu sei perfeitamente que
o que o Governo quer são números para esse mapa, quer os alunos saibam estar
sentados numa cadeira ou não (saber ler e explicar o que leram seria pedir
demasiado pois esse conhecimento justificaria equivalência, não ao 9º ano,
mas a um bacharelato...).

É preciso que o Ministério diga aos alunos que a aprendizagem exige
esforço, que aprender custa, que aprender "dói"! É preciso dizer aos alunos
que não basta andar na escola de telemóvel na mão para memorizar
conhecimentos, aprender técnicas e adoptar posturas e comportamentos
socialmente correctos.

Se V.Excia achar que eu sou pessimista e que estou a perder a
sensibilidade por estar em contacto diário com este tipo de jovens pergunte
a opinião de outros professores, indague junto das escolas, mande alguém
saber. Mas tenha cuidado porque estes cursos são uma mentira...

Permita-me discordar de V. Excia mas dizer que os professores têm
de ser dignificados é pouco, muito pouco mesmo...

Atenciosamente

Domingos Freire Cardoso

Professor de Ciências Físico-Químicas

Rua José António Vidal, nº 25 C

3830 - 203 ÍLHAVO

Saturday, November 3, 2007

I just had to keep it here

He talked a lot about the past and I gathered that he wanted to recover something, some idea of himself perhaps, that had gone into loving Daisy. His life had been confused and disordered since then, but if he could once return to a certain starting place and go over it all slowly, he could find out what that thing was.

Merda, hesit....

Cada dia te é dado uma só vez

E no redondo círculo da noite

Não existe piedade

Para aquele que hesita.

Mais tarde será tarde e já é tarde.

O tempo apaga tudo menos esse

Longo indelével rasto

Que o não-vivido deixa


SMBA

Mais crimes sobre as vítimas do caso Casa Pia

Do Público de hoje. Onde se pode ver que, para lá dos pedófilos, há mais criminosos relacionados com este processo. Como podemos calar esta violência sobre as vítimas!?

"Perícias podem afectar ritmo do julgamento da Casa Pia

03.11.2007, António Arnaldo Mesquita

A repetição das perícias para avaliar da credibilidade de testemunhas e eventuais vítimas pode afectar o andamento do julgamento do processo da Casa Pia, que tinha previsto o fim da fase de produção de prova para o final do ano, admitiu fonte judicial ontem contactada pelo PÚBLICO.

A decisão da juíza-presidente, Ana Peres, vai exigir a realização de novos exames, a elaboração de relatórios, que serão posteriormente notificados ao colectivo, à acusação e à defesa.

Quando os psicólogos tornarem pública a sua análise, não será de excluir que qualquer das partes, defesa ou acusação, venha a contestar as suas conclusões, abrindo-se uma fase de alegações e de contra-alegações. Esta eventual polémica terá um desfecho que pode ocorrer quando o colectivo tiver terminado a inquirição das testemunhas e pode implicar a reabertura da produção de prova.

Não está igualmente excluído que os alvos das novas perícias venham a repetir a posição que adoptaram há cerca de um ano, quando se recusaram a ver novamente avaliada a sua credibilidade e perfil pessoal. Esta atitude pode, igualmente, suscitar novas controvérsias e levar a defesa a impugnar aquela posição de recusa.

As suspeitas de abusos sexuais na Casa Pia foram tornadas públicas na comunicação social em Novembro de 2002. O Ministério Público iniciou as investigações, e o julgamento começou dois anos depois.

Foi em Novembro de 2002, na sequência de uma entrevista à jornalista do Expresso Felícia Cabrita, que se tornaram conhecidas as suspeitas de abusos na Casa Pia".

A funny Funny Quote of the Day

Roses are red, violets are blue, I'm schizophrenic, and so am I.

Oscar Levant

Wednesday, October 31, 2007

De Rerum Natura - o novo RDM

Do blog De Rerum Natura (DRN), uma citação da mais recente investida contra os que se opõem ao evolucionismo:

"Os criacionistas nacionais de serviço ao De Rerum Natura, que têm uma certa dificuldade em perceber que o espaço de debate de um blog de ciência não é exactamente o mais apropriado para despejarem o seu lixo absurdo e obscurantista, resolveram debitar no anonimato que os caracteriza um exemplo perfeito desta falácia."

(Já vai em 127 dramáticos comentários)

Este tom e este tipo de linguagem tem já tradições nesse espaço quando se aborda o tema evolucionismo/ID.

Choca a forma autoritária e rude dos argumentos. A ciência não se impõe pela força da razão??
Parece que o DRN está cada vez um RDM do pensamento...

Monday, October 29, 2007

Eduquês básico

Do artigo do Nuno Crato no Expresso: "Para se perceber a profundidade do descaminho linguístico, basta dizer que nem uma única vez se usa a palavra «ensinar»."

Texto integral aqui.

Monday, June 18, 2007

Rerum Natura e o pensamento único

Tinham-me dito há dias, mas não tinha ficado convencido. A posição intolerante, arrogante, prepotente e anti-científica de alguns do Rerum Natura.

Começou aqui e continuou por aqui , etc.

Alguns rerum-naturistas esquecem que os jogos se ganham dentro das quatro linhas, não na secretaria...

Monday, June 4, 2007

Magistrado pedófilo?

Recebi um email perturbador, mas deve ser falso...

Aqui fica:

INACREDITÁVEL!!!

Hugo Marçal... JUÍZ !!!!

Este processo das crianças violadas vai mesmo ficar em "águas
de bacalhau".

É incrível a passividade do povo português face a este escândalo da

pedofilia.

Tem que se fazer justiça! Façam fwd do mail!!!!

Hugo Marçal está em vias de ser admitido a frequentar o curso de
auditor de justiça do Centro de Estudos Judiciários. O nome do arguido no
processo de pedofilia da Casa Pia vem publicado no Diário da República de ontem,
entre centenas de candidatos a frequentar a escola que forma os juízes
portugueses.

Mas ao contrário dos outros, Hugo Marçal não vai prestar provas .
Pelo facto de ser doutor em Direito - grau académico que terá
obtido em Espanha - está por lei «isento da fase escrita e oral» e tem ainda
preferência sobre os restantes candidatos». Resultado: o advogado de
Elvas está na prática à beira de ser seleccionado para o curso que
formará a próxima geração de magistrados!

O nome de Hugo Manuel Santos Marçal surge na página 4961 do Diário
da República, 2.ª série, com o número 802, na lista de candidatos a
ingressar no CEJ. Se concluir o curso com aproveitamento e iniciar uma
carreira nos tribunais - primeiro como auditor de justiça, depois
como juiz de direito - *Marçal terá também o privilégio de não
ser julgado num tribunal de primeira instância*.»

AH,POIS É!!!

É O PAÍS QUE TEMOS!!! Não deixem que isto aconteça!

Sunday, June 3, 2007

DISCIPLINA E CASTIGOS

Daniel Sampaio, hoje na Pública, comenta os que comentam a falta de disciplina nas escolas.
Para além de identificar tais comentários com conservadorismo, Daniel Sampaio enfatiza que temos é de ajudar a desenvolver auto-disciplina nos mais jovens.

"Se observarmos uma criança de um ano, vemos que ela é capaz de confortar um menino da mesma idade, quando o amigo está triste ou magoado. Chama a mãe do outro rapaz, dá-lhe um brinquedo ou ri-se para o animar. Sem ainda entender o que o amigo está a sentir, ajuda-o como gostaria de ser ajudado numa situação semelhante."

O bom selvagem!... Não, minto, o Daniel não é bom, mas para nunca ter visto uma criança de um ano, se calhar é um selvagem criado por uma alcateia.

É esta gente que manda e são estas ideias que subjazem às práticas pedagógicas que nos vão destruindo. O Desastre da Educação começa então aos doze meses de idade...

Thursday, May 31, 2007

Um Escritor KZ --- Boaventura no Ávido - 1

O Ávido foi substituído pelo Ávido 2. Contudo, para guardar a memória de alguns posts,
aqui ficam os links.

O primeiro é sobre Boaventura Sousa Santos, aqui:
http://avidodiva.blogspot.com/2005/01/um-escritor-kz.html

Wednesday, May 23, 2007

Arruda dos Vinhos

José Manuel Fernandes hoje no Público (texto completo aqui):

É privada, escolhe os professores, recebe todos os alunos do concelho, dos pobres aos ricos, ensina a tabuada, tem quadro de honra, não vai em modas. Fica em Arruda dos Vinhos e perceber como lá se ensina desfaz muitos mitos sobre como deve ser o sistema de ensino.

Wednesday, May 16, 2007

Sócrates professor... independente

Do Público de hoje (texto completo aqui):

O ex-secretário de Estado do Ambiente José Sócrates foi "professor convidado" da Universidade Independente em 1996-1997, logo após a conclusão da sua licenciatura naquele estabelecimento.

A lei então em vigor proibia os membros do Governo de exercer quaisquer outras "funções profissionais, remuneradas ou não". A contratação de Sócrates, conforme consta da lista dos professores da UnI publicada no Diário da República pelo Ministério da Educação, foi feita mediante um "acordo de colaboração".

Sunday, May 6, 2007

BHL on USA

No Público de há uns dias (texto completo aqui):

Pensava que a América era um país imperial. A ideia merece ser revista. Pensava que a América não tinha sistema de saúde e de segurança social. É mais complicado que isso. É diferente do nosso, uma mistura de publico e privado, mas existe. Pensava que a América era um país materialista e é provavelmente o país mais religioso do mundo. Pensava que o Sul eram os Estados da segregação, onde os negros teriam ainda um longo caminho a percorrer para cumprir o programa de Martin Luther King. Descobri que o caminho já tinha sido percorrido no essencial. Cada passo foi uma surpresa.

Saturday, April 21, 2007

Um mau caminho para a liberdade

Pacheco Pereira, hoje, no Público (texto completo aqui):

Qualquer criminalização do pensar e do dizer é liberticida...

Thursday, April 12, 2007

Doutores e engenheiros IV

Sobre as explicações de José Sócrates sobre a sua carreira académica, nada como os comentários do "homem mais poderoso de Portugal" o parceiro de xadrez de A. Santo, Jorge Coelho, citadas pelo Público:

"Eu conheço José Sócrates há muito tempo, a sua verticalidade. Nunca tive dúvidas. O primeiro-ministro respondeu a todas as insinuações, a todas. Teve a coragem, serenidade e humildade de levar para ali documentos. Não percebo como se pode pedir mais explicações. Não passa de uma telenovela de tretas. Nenhum partido falou nisto na Assembleia da República, o que mostra maturidade da democracia portuguesa."

Tuesday, April 10, 2007

Doutores e engenheiros II...

Para além destas perguntas, o Público escreve hoje:

Curriculum de Sócrates já incluía licenciatura em Engenharia antes do curso na Independente

10.04.2007 - 09h20 PUBLICO.PT

As biografias oficiais da Assembleia da República de 1993 já apresentavam José Sócrates como licenciado em Engenharia Civil, três anos antes de o actual primeiro-ministro ter concluído a sua licenciatura na Universidade Independente, avança hoje o Rádio Clube Português.

Nos registos do Parlamento sobre o então deputado socialista eleito por Castelo Branco surgia uma licenciatura em Engenharia Civil, apesar de o actual primeiro-ministro já ter afirmado que apenas terminou a licenciatura em 1996, o que coincidiu com o exercício de funções de secretário de Estado adjunto do Ministério do Ambiente.

Nesse ano de 1993, o registo académico de José Sócrates incluía apenas um bacharelato em Engenharia pelo Instituto Superior de Engenharia Civil de Coimbra, que foi concluído no fim da década de 1970.

Desde então, José Sócrates frequentou o Instituto Superior de Engenharia de Lisboa e a Universidade Independente, tendo obtido aí o diploma em Setembro de 1996.

Um outro dado revelado pela investigação do RCP aponta para que um ano antes da conclusão da licenciatura, em Outubro de 1995, o então secretário de Estado adjunto do Ministério do Ambiente assumiu o título de Engenheiro no decreto de nomeação para o Governo de António Guterres publicado em Diário da República.

Monday, April 9, 2007

Doutores e engenheiros...

Santana Castilho no Público de hoje (texto integral aqui) sobre a Universidade Independente:

"Por razões que a prudência não me deixa explicitar, antecipo que o veredicto ditará a continuidade, quando só a autópsia poderia ser útil."

Thursday, March 15, 2007

O novo eixo do mal

No Público de hoje (texto integral aqui), por Esther Mucznik.

No Iraque, no Afeganistão, na Tchetchénia, no Darfur, no Magrebe, são utilizados os meios mais selvagens e cruéis: atentados em hospitais por terroristas disfarçados de pessoal médico; bombas nas universidades contra estudantes, nas mesquitas contra fiéis, nos lugares santos contra peregrinos; devastação à bomba do coração cultural de Bagdad onde os livros também são um alvo; cadáveres mutilados por torturas hediondas atirados para valas comuns; raptos, decapitações e agora, supremo requinte, aparição do terrorismo químico, à base de cloro - irmãos contra irmãos, árabes contra árabes, muçulmanos contra muçulmanos, não poupando velhos, mulheres e crianças.


Quem protesta contra esta guerra? Ninguém. Ela deixa-nos indiferentes, cegos que estamos pela "evidência" de que tudo é culpa de Israel e dos EUA. Impune, a barbárie pode continuar: de todas as formas ela será sempre atribuída a americanos e israelitas.

Hagiografia da mediocridade

Constança Cunha e Sá no Público de hoje (texto completo aqui):

Em vinte páginas de prosa, ao longo das quais vamos assistindo ao harmonioso desenvolvimento do pequeno Zezito, não há um pormenor que o diferencie, um traço que o caracterize ou uma ideia que o distinga - e muito menos algo que o determine à nascença para o exercício do poder, como assegura o título escolhido pelo semanário para coroar esta hagiografia da mediocridade.

Na história do "menino Zezito", não há esforço, nem sacrifício.

Wednesday, January 31, 2007

Eduquês à solta

Guilherme Valente no Público de hoje (texto completo aqui):

"A lógica e a coerência da medida agora prevista só pode ser mais uma manifestação do delírio cretinizador, que continua a comandar o sistema educativo..."

Wednesday, January 17, 2007

Primeiro filosofar

Eduardo Prado Coelho, hoje no Público, sobre a retirada da Filosofia do secundário (texto integral aqui):

"Deveria apoiar-se todo o sentido do secundário nessas duas grandes disciplinas da arte de pensar: a Matemática e a Filosofia. Elas são complementares, por muito que pensemos que são antagónicas."

Estamos de acordo com EPC, o que é de registar, dado não ser habitual...

Thursday, January 4, 2007

Pacheco Pereira hoje no Público, sobre a execução de Saddam (texto integral aqui):

"A discussão da invasão americana e dos sucessos que se lhe seguiram é hoje tão dominada pela irracionalidade e pelo "pensamento único" que nos impede pura e simplesmente de pensar.
Aliás, nunca encontrei melhor exemplo do que possa ser o "pensamento único" do que a completa unanimidade agressiva sobre os eventos do Iraque."

Pimba

Hoje, no Público, Desidério Murcho escreve a propósito do livro Desastre no Ensino da Matemática: Recuperar o Tempo Perdido, organizado por Nuno Crato, Edições Gradiva, 2006. (texto integral aqui):

"O cerne da excelência do ensino é a solidez científica dos currículos e a formação científica dos professores, mas as discussões públicas nacionais sobre educação nunca abordam estes aspectos centrais. Até parece que tudo o resto é que é a finalidade do ensino, quando na verdade são apenas meios.

...

As desastrosas doutrinas pedagógicas que imperam em Portugal, algo pós-modernaças e "construtivistas", são elitistas - apesar de fingirem o contrário - e têm por denominador comum um ódio visceral às Ciências, à Matemática, à História, à Gramática, à Literatura, à Filosofia; enfim, a tudo o que se pareça com verdadeiros conteúdos escolares.

Em vez de conteúdos, fala-se de competências - como se pudesse haver competências sem conteúdos.

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Fantasioso é também querer certificar manuais escolares quando os programas das disciplinas, que foram certamente certificados pelo próprio ministério, são o locus classicus do erro científico e do disparate pedagógico. Em muitos casos, para que um manual seja cientificamente bom e pedagogicamente adequado, é obrigado a não respeitar o programa."

Wednesday, January 3, 2007

TLEBS de novo

Vasco Graça Moura no DN:

"Nos últimos meses de 2006 ficou amplamente demonstrado que a TLEBS [Terminologia Linguística para os Ensinos Básico e Secundário] é um crime contra a língua portuguesa e contra o ensino e a aprendizagem dela.

...

Quando um produto é perigoso para a saúde pública, logo as autoridades o mandam retirar da circulação e venda. A situação é parecida. A TLEBS é um composto de alta perigosidade para a "saúde pública" escolar, como já foi demonstrado de inúmeras maneiras, no plano científico, no plano jurídico, no plano pedagógico e no plano prático."